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Para quem se esquece do Esquecimento

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  Para quem se esquece do Esquecimento José Eduardo Agualusa traz a magia narrativa no livro Teoria Geral do Esquecimento Por Pedro Emanuel Bernardino Em 1960, na província de Huambo, situada no planalto central de uma Angola colonial , nasce José Eduardo Agualusa. Nota-se que, apenas em 1975 é que Angola torna-se independente de Portugal e, conforme se demarcam a temática que envolve outros títulos do autor, como O Vendedor de Passados, o processo da Independência angolana se faz, igualmente, presente em Teoria Geral do Esquecimento. Talvez não de uma maneira explícita, tal qual própria de historiadores acerca de um fato histórico. Mas as amarguras de um povo colonial, como figura Agualusa, mantém-se em pé, de outra forma, pode se dizer. Como a de antes, subvertido, o povo, aos valores e crenças portuguesas, novamente se submete às mazelas de um Imperialismo, ora mantido às americanas, ora às soviéticas, enquanto em Teoria Geral do Esquecimento se reflete o que é comum a todas a...

Do roxo etéreo ao sério álcool

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  Do roxo etéreo ao sério álcool Fátima Gilioli resgata à atualidade as causas e os problemas consequentes do alcoolismo em “Código 303” Por Pedro Emanuel Bernardino Fátima Regina Gilioli, nascida em Campinas, ocupa atualmente a cadeira nr. 18 da Academia Guarulhense de Letras. Formou-se em Jornalismo na PUC de Campinas, em 1997, a partir da apresentação do “Código 303” como Trabalho de Conclusão de Curso. Apesar do livro-reportagem ter sido escrito no final da década de 1990, seu teor continua atual, contemporâneo e urgente. Fátima é autora de outras obras, como a obra de ficção distópica, “#EsseFuturoNão!” , “A vida em Contos” e integra a coletânea de contos, e crônicas, “Cadeira de Mulher” . Do título, “303” refere-se à classificação antiga (CID-9) para a síndrome de dependência do álcool, tema central deste livro. Atualmente, o código utilizado no Brasil é o CID-10 F10 (Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de álcool). Contudo, o livro não é desatualizado em su...

Um cafezinho após o relato de abdução

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Um cafezinho após o relato de abdução Margarida Hallacoc revisita o caso do ET de Varginha e os bastidores na imprensa de 1996 em “Os ETs de Varginha” Por Pedro Emanuel Bernardino A autora do livro, Margarida Hallacoc, nasceu em Poço Fundo e descobriu, ainda na infância, o prazer da leitura, e em relação à escrita, a autora aborda um sonho remoto de que, aos 13 anos, desejava uma máquina de escrever Olivetti. Seu avô materno, sabendo uma vez do desejo da neta de ter uma máquina, presenteou-lhe com uma máquina de costura Vigorelli. A confusão não impediu Margarida Hallacoc de comprar, posteriormente, a tão sonhada Olivetti, obtendo-a com seu salário das aulas lecionadas na escolinha do bairro. Seguida da crença de que a informação é um direito sagrado, Margarida Hallacoc formou-se em jornalismo e, nos anos 1990, participou da cobertura jornalística sobre os casos de avistamento, aparições e, em um termo apropriado para esta resenha, contatos imediatos que rondavam Varginha, no Sul de Mi...

Face escura à fantasia de Márquez

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  Face escura à fantasia de Márquez García Márquez revela sua face jornalística ao narrar os sequestros na Colômbia dos anos 1990 em “Notícia de um Sequestro” Por Pedro Emanuel Bernardino Gabriel García Márquez, autor colombiano, celebrado mundialmente por livros como “Cem Anos de Solidão” e “Crônica de uma Morte Anunciada” , publica a primeira edição de “Noticia de un secuestro” em 1996. Da face na qual o autor apresenta-se neste livro, pode remeter certa desconfiança a quem lhe conheceu através do “realismo fantástico” . Justamente  por sua adaptabilidade, qual praticada enquanto jornalista em 1949, é que o leitor possa pressupor estar lendo um livro ficcional. Diferente de “Cem Anos de Solidão”, livro o qual lhe rendeu às semelhanças estilísticas do “realismo fantástico” , este livro é calcado em uma narrativa “não-ficcional” . Embora não seja menos característico dos recursos narrativos que consagraram Gabriel García Márquez. Respaldado pelas conjunturas contextuais de su...

O conjunto "autor-obra" à luz de Dalton Trevisan...

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Foto: Acervo/Arquivo Dalton Trevisan Embora a Obra esteja profundamente interligada à ideologia de seu Autor, termo que no contexto de Frankfurt se limitava às concepções marxistas do conceito, e hoje amplia-se à subjetividade, quase que inconsciente, do ser, há um debate riquíssimo, e que não deveria ser diminuído à bel moralidade ocidental do século XXI. As diferenciações entre Obra e Autor, ou melhor, tal discussão, atravessa os séculos e, a depender do contexto histórico em que esse debate é elucidado, sempre se chegam a um consenso provisório.  Hoje, talvez seja fartura de imagem. Assim como as máscaras mortuárias de um indivíduo desprovido de identidade fora de seu contexto no espaço-tempo, a imagem de um Autor resvala, a princípio, de um discurso, à la vendas , semelhante à essência de si próprio. Hoje, talvez seja imprescindível o conjunto autor-obra . Mas, para além deste paradigma, cujo remete ao marketing de si, talvez valha a pena destacar o causo de Dalton Trevisan....